domingo, 8 de junho de 2008

Claudia Washignton

ALGO SOBRE A EXPERIÊNCIA 4TERRITóRIOS
As relações e ações geradas a partir da proposta do 4territórios podem ser sintetizadas para mim nesses dois termos, contraste e complementaridade.
Contrastes observáveis no modo de pensar imagem, no modo de agir no mundo, nas escolhas entre o processual e o objeto acabado, nas referências, na geografia, na fala, no movimento . . .
Complementaridade porque no fim das contas não precisamos chegar a um denominador comum, pude observar no outro (meu espelho invertido), muito daquilo que penso e quero.

O relato que segue trata desse lugar de contraste e complementaridade na experiência do cotidiano.

De quando Gustavo, Andrei e Flávio estiveram em Curitiba
Uma terça-feira, acabávamos de nos instalar numa casa alugada no bairro Água Verde, segunda noite na casa. Era uma hora da manhã quando fui ao e/ou, no Bom Retiro, finalizávamos um trabalho. GAF[1] estava acompanhada de mais duas pessoas e projetava outras histórias em vídeo na parede da garagem . Voltei às duas da manhã, Lúcio deu uma carona, paramos em frente à ∞∞[2] e pensamos que GAF dormia.
Logo que adentrei a casa percebi que tanto GAF quanto as outras duas pessoas estavam acordadas ... e brincavam escandalosamente.
Encontrei algumas pessoas enquanto bebia água na cozinha, fui dormir...Pensei se meu sono seria contínuo ou entrecortado pelos risos e gargalhadas. Dormi.
Lúcio me liga, é outro dia, e me pergunta sobre uma festa ou invasão que ocorrera na casa e que teria incomodado os vizinhos (gente subindo em árvores, fotografando. Um horror!). Segundo notícias, a polícia foi chamada, esteve no local e repreendeu GAF, como GAF não atendeu a solicitação de silenciar, a polícia teria voltado ao local mais tarde e calado GAF definitivamente. Porém isso não bastou para a vizinhança perturbada.

1. GAF foi o provocador de uma situação que envolveu diretamente mais 6 agentes;
2. A polícia só existe pela capacidade de simulação do vizinho;
3. O vizinho nunca dirigiu-se diretamente a GAF;
4. O mercado imobiliário está envolvido;
5. Lúcio foi o último a saber.

Esses dois elementos síntese servem tanto para quando recebi Gustavo, Andrei e Flávio em minha casa, quanto para quando estive hospedada na casa de Andrei, andarilhando pela cidade ou na praia lotada.

No exercício do lugar e na distância de casa outras palavras surgiram, um chavão de viagem (saudade), uma referência do processo (contraste), uma incongruência (estabilidade), uma outra abordagem (revelação), uma ambiguação útil (euphoria), que serviram de pontes para as relações que busquei na intervenção, muito mais atitude relacional.

Aguardo e trabalho nas reverberações . . .

1]Sigla para Gustavo, Andrei e Flávio, que a partir de agora servirá para denominá-los como uma unidade vivencial em trânsito.
[2]Infinito espelho infinito, casa localizada no bairro Água Verde, rua Octávio Francisco Dias, nº 818.

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