domingo, 8 de junho de 2008

Pontogor

Relato sobre minha passagem por Brasília.
Daniela me recebeu no aeroporto por volta de meia noite do dia 26 de março. Ela mora com os pais, o filho, Uma pessoa que faz os serviços da casa e a filha desta, em uma casa confortável no Guará 2. A primeira impressão de Brasília é que está afundada nas nuvens, em um giro de 360º o horizonte está por toda parte, sem interrupções.
Conversamos muito sobre nossos trabalhos e eu era bombardeado por informações de todos os tipos sobre o lugar e as pessoas de lá. Muito trabalho independente por parte dos artistas, muita vontade de fazer.
Estipulei que os três primeiros dias seriam um reconhecimento da situação que estava metido. Nesses dias, vagamos despretensiosamente por lugares enquanto eu conhecia muitos artistas.
Nesse primeiro momento fiquei muito empolgado com a geografia do lugar e a organização dos espaços, desenhei alguns mapas e esquemas e cheguei a pensar que desenvolveria algo nesse sentido como proposta de trabalho, mas comecei a reparar que o plano piloto não era tudo, Brasília não era aquilo e as cidades satélites começaram a me chamar atenção. Todavia, a dificuldade de locomoção era muito grande, aquele lugar não foi feito para andar de ônibus e, dessa forma, as caronas com amigos da Dani eram A solução. Rodamos muito de carro.
Os dias estavam passando e eu sentia uma grande dificuldade de improvisar alguma interferência naquela cidade de amplos espaços vazios, sentia que qualquer coisa feita seria engolida pelo lugar e se tornaria um ponto quase invisível. No fim de semana fomos convidados para um almoço na casa de uma amiga (Marta), O lugar seria em uma chácara localizada no Park Way. Eu tinha visto umas fotos de lá dias antes enquanto olhávamos trabalhos de Dani e seus amigos, uma das fotos era muito bonita, era uma casa abandonada onde a obra não foi finalizada. Não tina portas nem janelas, apenas as aberturas onde estas entrariam e ficava em um espaço cheio de árvores a sua volta. Marta me falou que a casa é propriedade de sua família e que eu poderia utilizá-la para realizar algum trabalho. Quando cheguei para o almoço e vi a casa fiquei realmente satisfeito. Daí para frente fiquei determinado a realizar uma intervenção ali.
Comprei muitas lâmpadas e interruptores para desenvolver uma espécie de composição com luz na casa. Essas lâmpadas foram distribuídas pelos cômodos da casa e eu na sala central do primeiro andar controlava com o que eu chamei de "PIANO" (15 interruptores de luz presos em um pedaço de madeira) quando e quantas luzes acenderiam. Passei por volta de vinte minutos compondo uma música visual que podia ser vista pelas casas do entorno. A ação foi registrada em vídeo e fotograficamente como registro do acontecimento. O trabalho foi realizado de noite no dia 05 de março, com a ajuda fundamental de Daniela Bezerra e Marta Mencarini.

pontogor

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